Sepé
Tiaraju
Sepé Tiaraju em mural de Danúbio Gonçalves no Memorial da Epopeia
Riograndense, em Porto Alegre.
Sepé Tiaraju (Redução de São Luis Gonzaga, cerca de 1723 — São Gabriel, 7 de fevereiro de 1756)
foi um guerreiro indígena brasileiro, considerado santo popular e
declarado "herói guarani missioneiro rio-grandense" por lei.
Chefe indígena dos Sete Povos das Missões, liderou uma rebelião contra o Tratado de Madri.
Etimologia
Acredita-se que o nome verdadeiro de Sepé
Tiaraju fosse Djekupé A Djú,
que significava "Guardião de Cabelo Amarelo".
"Guardião" por ele ter
escolhido ser guerreiro ao invés de pajé e "cabelo amarelo" porque
tinha o cabelo castanho, um pouco mais claro que os demais indígenas.
Sepé Tiaraju foi a maneira como os padres das missões
entenderam e escreveram seu nome.
Sepé era também chamado de Karaí Djekupé ("Senhor Guardião") pelos
guaranis e de
José, seu nome cristão, pelos brancos.
Biografia
Muito do que se sabe sobre Sepé Tiaraju veio
de índios centenários do Sul do país, que preservam sua história de maneira
oral, passando-a de geração para geração.
Supõem-se que Sepé Tiaraju nasceu em uma aldeia indígena
que foi supostamente atacada por forças espanholas quando ele tinha dois anos
de idade, o que o deixou órfão.
Os índios guaranis descobriram o menino no local e o
levaram para uma aldeia perto de Sete Povos das Missões, onde Sepé foi adotado
por um casal.
Segundo o pesquisador indígena Leonardo Werá Tupã, não é
possível precisar a tribo de Sepé.
Apesar de ter se tornado líder dos guaranis, Sepé era de
outra etnia:
"Ele foi adotado pelos guaranis e criado
como um dos nossos".
Seu avô adotivo era um pajé muito
poderoso e adorado.
Quando Sepé começou a crescer, foi preparado para ser um
pajé.
Mas acabou se tornando um guerreiro, devido à sensação de
revolta que tinha com os homens brancos por terem dizimado sua aldeia.
Sepé não foi criado pelos jesuitas, mas
frequentava as missões, onde aprendeu a falar espanhol.
Segundo Werá Tupã, Sepé foi treinado pelo grande exército
guarani, os "kereymba".
Outras fontes indicam que ele havia sido alferes do
exército espanhol.
Sepé era habituado ao convívio com os homens
brancos, ao
contrário dos demais guerreiros guaranis.
Prezava pelo convívio pacífico entre índios e brancos,
uma vez que se preocupava com a jornada espiritual na qual seu avô deveria
embarcar.
Werá Tupã duvida que Sepé tenha se convertido ao cristianismo, uma vez que era comum os índios
aceitarem ser batizados para não desagradarem aos missionários jesuítas.
Ainda hoje os guaranis utilizam essa estratégia com
missionários cristãos.
Guerra Guaranítica
Espanhol na
chamada Guerra Guaranítica, que durou de
1753 a 1756.
Letrado e treinado para o combate, ele exercia grande
influência sobre seus comandados.
O conflito teve início com a assinatura do Tratado de Madrid por Portugal e Espanha.
Ficou acordado que Portugal cederia a Colônia do Sacramento (fundada pelos portugueses, onde hoje
é o Uruguai) à Espanha, em troca da região dos
Sete Povos.
Para que o acordo fosse concretizado, os povos indígenas
— grupo composto por cerca de 30 a 50 mil
pessoas — deveriam abandonar o local e seguir para a região controlada pela
Espanha.
Contrariando as ordens da Companhia de Jesus, os indígenas não
aceitaram o tratado e pegaram em armas para defender suas terras, dando início
à guerra.
Espanhóis e portugueses lutaram lado a lado para expulsar os indígenas das
Missões.
O interesse
luso-brasileiro por esta extensa região deveu-se ao gigantesco rebanho de gado,
o maior das Américas, mantido pelos indígenas.
Os guaranis conseguiram muitas vitórias, mas
no final de 1755 começaram a sofrer duas derrotas.
Em 7 de fevereiro de 1756, após uma série de derrotas,
cerca de 1.500 guaranis foram dizimados na batalha de Caiboaté,
na entrada da cidade de São Gabriel.
Sepé Tiaraju morreu no combate, provavelmente
numa emboscada.
A partir desse momento, história e lenda se confundem.
Como
o corpo do bravo guerreiro não foi encontrado no campo de batalha, espalhou-se
a crença de que ele subira aos céus.
Surgiu, assim, a veneração a São Sepé, um santo não
reconhecido pela Igreja Católica.
Legado
Sepé Tiaraju criou táticas militares
inovadoras para sua época, priorizando a guerrilha e
evitando grande batalhas.
Além disso, idealizou e construiu quatro peças de
artilharia, confeccionadas com cana brava.
Sepé Tiaraju virou um herói popular no Rio Grande do Sul.
É atribuída a ele a exclamação épica "Esta terra tem
dono!".
Sua memória ficou registrada na literatura por Basílio da Gama no poema O Uruguai (1769) e por Érico Veríssimo no romance O Tempo e o Vento.
Apesar da devoção popular e da existência de um município
chamado São Sepé, líder guarani não é considerado santo pela Igreja Católica.
Está,
no entanto, presente no calendário de santos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, sendo comemorado no dia 7 de
fevereiro.
Em 21 de setembro de 2009, foi publicada a
Lei Federal 12.032/09, que determina que "Em comemoração aos 250 (duzentos
e cinquenta) anos da morte de Sepé Tiaraju, será inscrito no Livro dos Heróis
da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, o nome de José Tiaraju, o Sepé
Tiaraju, herói guarani missioneiro rio-grandense".
Informações colhidas da internet.

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